Eu sou uma missão nesta terra, e para isso estou neste mundo. (Evangelii Gaudium, 273)

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Após alguns dias entre as comunidades indígenas na cidade de Caucaia-CE, jovens missionários do interior baiano e religiosas encerram o itinerário com um momento de oração no Centro MAGIS Inaciano da Juventude

Ryan Antonino, pastoralista do CIJ

Na última quarta-feira (28), o Centro MAGIS Inaciano da Juventude acolheu com alegria um grupo missionário para uma manhã de oração e partilha. Orientados pela Ir. Lúcia Carvalho, da Congregação das Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores, os jovens vieram das cidades de Aracatu e Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, para se prepararem espiritualmente antes de estarem em missão junto às comunidades indígenas de um município da região metropolitana de Fortaleza (CE).

Durante alguns dias, o grupo viveu intensamente o cotidiano das comunidades indígenas, partilhando diversos aspectos de sua vida comunitária, cultural e espiritual. Os missionários foram acolhidos com a tradicional dança do toré, expressão profunda de identidade e resistência. O contato aberto com a cultura, as tradições e a espiritualidade indígena marcou profundamente os jovens. Contudo, o que permaneceu gravado em suas mentes — e em suas almas — foi, sobretudo, a luta de um povo que resiste diante daqueles que tentam amedrontá-lo e apagar sua história.

Os missionários estiveram presentes em momentos de grande tensão durante uma retomada de terra indígena e, no contexto da luta pela demarcação, testemunharam a coragem do povo: mulheres e crianças, jovens e idosos, firmes diante das ameaças de agentes militares e de posseiros de terra. “As mulheres e as crianças permaneceram no local, pois, se não estivessem ali, era certo que os policiais usariam violência contra os demais. Todos quiseram continuar lutando juntos pela terra que sempre foi deles”, testemunhou uma das religiosas.

Durante o momento de oração no CIJ, foram meditadas as palavras do evangelista Lucas (Lc 10,17-24), que narram o retorno cheio de alegria dos setenta e dois discípulos e recordam a força concedida por Deus àqueles que são enviados em seu nome. De modo especial, o versículo 19 foi amplamente partilhado como aquilo que mais tocou os jovens missionários: “Vejam: eu dei a vocês o poder de pisar sobre cobras e escorpiões e sobre toda a força do inimigo, e nada poderá fazer mal a vocês.”

Diante das adversidades, das violências históricas e dos muitos silêncios do Estado, o povo indígena permanece firme na luta. Sustentados pela fé, seguem resistindo, animados pela presença de Deus, que envia força por meio de missionários, agentes pastorais e colaboradores da causa indígena, em favor do direito a uma existência pacífica, respeitada e garantida.

Caminhar com aqueles que foram vulnerabilizados pelas injustiças do mundo é uma das Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus. Por isso, agradecemos ao empenho das Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores, na pessoa da Ir. Lúcia Carvalho, colaboradora na missão; aos jovens que aceitaram o chamado de Deus para serem presença de justiça e promotores da paz; e às comunidades indígenas de Caucaia (CE), que acolheram o grupo e seguem reivindicando seus direitos à terra e à vida, à “vida em abundância” (cf. Jo 10,10). 

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